O Urso chorão...

(Marlene B. Cerviglieri)

Eram três ursinhos lindos e saudáveis. Dava gosto ver os três rolando a campina verde na imensa floresta.

Todos os animais procuravam sua alimentação durante a manhã logo bem cedinho. O riacho que corria no meio da campina era muito grande de uma água muito límpida, se via o fundo nitidamente. Eu não gostava muito quando as onças vinham beber água, pois pareciam dóceis, mas certo arrepio passava por mim quando as via.

Gostava mesmo era da família dos macacos que sempre estavam na maior das alegrias. Qualquer graveto ou folhinha já era motivo para brincadeira.

Os pássaros então voavam nas árvores altas, mas desciam também para o solo a fim de ciscarem e às vezes tomar banho.

Os jacarés já viviam dentro da lagoa atrás do penhasco. Era um lugar sombrio que eu também não gostava muito. Todo cuidado por ali era pouco, apesar de reinar certa harmonia entre todos os animais.

Mas o que estava incomodando ultimamente era o Urso chorão...

Os três irmãos brincavam ali perto de minha arvore favorita e sempre podia observá-los.

O que será que acontece para que ele chore o tempo todo?

Resolvi que iria observá-lo bem atentamente.

E assim fiquei de prontidão em cima da arvore.

Lá chegaram os três, eram tão iguais que só percebi o chorão porque começou a chorar.

Foi então que ouvi a mamãe Ursa dizer aos outros:

-Deixe que ele chore logo ele vai parar.

Mas o Ursinho chorava e gritava também.

Então um de seus irmãos chegou até ele e disse;

Meu irmãozinho você quer brincar comigo?

Não houve resposta.

-Então o Urso chegou até ele novamente e estendeu-lhe folhinhas e disse-lhe:

Quer ficar com elas?

-Não houve resposta.

Assim meio como quem não quer nada o outro irmão tentou se comunicar com o chorão.

Ei, vamos brincar de correr para achar formigueiro?

-Não houve resposta.

Sendo assim os dois voltaram para seus folguedos e deixaram o chorão como a mãe havia dito.

Foi então que esta chegou até o filho e sentou-se ao seu lado.

-Meu querido filhinho, e abraçou-o com carinho.

Mamãe vai contar uma historia bem bonita para você.

Devagar ele foi parando de chorar e ficou só soluçando.

Vendo esta cena fiquei intrigada...

Voei para bem alto onde estavam meus pais e perguntei;

-Porque, porque ele age assim?

Chora não ouve nem os irmãos, ele é muito diferente.

Foi quando minha mamãe me disse;

Filho, nem todos são iguais há muitas diferenças.

Você já imaginou se todos fossem iguais?

Seria um desastre...

Cada um tem seu dom, sua inteligência seu modo de ser.

Ele é um especial e muito feliz.

Muito feliz disse eu. -

É muito feliz porque ele tem o amor da família.

Talvez ele ainda não perceba, mas é amado.

Volte para baixo creio que agora ele não estará mais chorando ou soluçando.

Voei para baixo e fiquei olhando novamente.

Agora estavam todos em volta dele falando e rindo.

Que coisa estranha ele parou mesmo de chorar, mas parece que está em outro mundo.

Do meu lado mamãe disse; e está mesmo, meu filho.

Mas o carinho e o amor da família dele logo o trarão para cá, afim de que ele possa ter vida própria.

Quanta sabedoria vinha de minha mamãe, transformando coisas tão dificies de eu entender em simples fatos.

Gostaria que você fosse a mamãe dele também.

Não meu filho cada um tem sua família e ele pertence a ela.

São lições de vida que aprendi ao longo do tempo e até hoje ainda aprendo no dia a dia.

A floresta continua calma aparentemente com todos os seus perigos ocultos e eu aqui da minha árvore espreito tudo para, cada vez saber mais.

Humanos...

Olha gente, que coruja linda lá em cima!

Símbolo da Sabedoria não é mesmo?

É o que dizem.

Fiquei contente então é assim, é?

Exato meu filho você também é um ser especial, todos nós somos, Filhos de Deus.



Créditos:
Texto
Marlene B. Cerviglieri

Formatação e arte
Jô Abreu
 

 

 

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