O CHORO DA BRUXA
 
Arai Terezinha Borges dos Santos
 

Selem era uma bruxa muito vaidosa e estava descontente com o tamanho de seu nariz. Ela queria um nariz grande, mais muito grande, pois o nariz é a sua principal característica. A vassoura é só um instrumento externo e ela tem ao alcance a opção que desejar. Então seu problema era mesmo o nariz. Foi aí que ela começou a fazer cirurgias plásticas para ganhar tamanho e forma mais aprimorada. Ela queria que seu nariz além de grande e inclinado para baixo, que fizesse um arco, uma semicircunferência. A princípio foi infiltrado silicone entre a pele e a cartilagem, mas esse processo não atingiu o resultado esperado, pois a pele do nariz não tem muita elasticidade. Então foi desenvolvida uma prótese móvel, para que tirasse a hora que quisesse. Mas é óbvio que isso ela só fazia quando ia dormir, pois mesmo estando sozinha gostava de ir ao espelho e dizer: “Espelho, espelho meu”! Existe um nariz maior e mais curvado do que o meu? E ali se admirava e ensaia as suas mais altas e maldosas gargalhadas: kkkk...
 
Certo dia resolveu aprontar com as crianças de sua circunvizinhança e para atraí-las fez uma ótima proposta: saiu com um alto falante anunciando.
 
_ Convido a vocês todos meus amiguinhos, para assistirem uma peça teatral infantil, em minha casa onde vários personagens de histórias clássicas estarão desfilando e representando suas vidas com os figurinos das ilustrações que vocês já conhecem. Ninguém precisa pagar ingresso e os comes e bebes também será cortesia da casa.
 
Pedro um pouco desconfiado pergunta a um de seus coleguinhas:
 
_ Joaquim será mesmo verdade o que a bruxa Selem está se propondo?
 
_ Pois olha Pedro! Para saber se é verdade ou não a gente precisa ir lá, mas só nós, não dá coragem! Vamos ver se há mais alguém disposto a encarar essa aventura?
 
E assim se juntam numa galerinha, uns mais corajosos, outros mais desconfiados e meninos e meninas para lá se dirigem. Ao se adentrarem para assistirem a tal apresentação, nem vestígio de palco, muito menos de personagens das tradicionais histórias. E o pior de tudo, ao entraram a bruxa trancou a porta e nessa ação já estavam em seu poder. Todos ficaram com muito medo e, muito unidos aguardavam ao desfecho que teriam de enfrentar. Sonia, uma das meninas, pegou a vassoura da bruxa que estava apoiada na parede e tentou colocar por debaixo da porta, para alavancar o encaixe do trinco, pois a mesma não era rente ao assoalho. Porém o cilindro do cabo da vassoura tinha maior espessura e mesmo que desse certo a bruxa estava muito atenta e já foi dizendo:
 
 _Deixe minha vassoura aí menina! Está pensando que pode decolar com ela?
 
_ Não, não dona Selem, eu só estava admirando o seu instrumento voador!
 
E enquanto o fogo devorava gravetos aquecendo aquele ambiente como também um enorme caldeirão cheio de não sei o quê, aquela galerinha sem ter por onde fugir rezava para que qualquer coisa desse errado e assim pularem fora.
 
_ Kkkk! Pensaram que iriam assistir um teatro, pois a peça era essa: pegar vocês. Logo, logo saberão do meu propósito, kkkk...
 
Sobre uma chapa de ferro, o caldeirão já começava a ferver e Selem derramava ingredientes sem medidas. Lá foi pimenta à vontade, pés de galinha preta, líquidos avermelhados de garrafas sem rótulos, pedaços de frutas com casca e tudo e tantas outras coisas que as crianças não conseguiam identificá-las.
 
_ Vocês vão provar a minha comidinha e aí vão crescer muito mais rápido e terão muito mais forças e nunca mais serão os mesmos!
 
Mas será que era isso mesmo que ia acontecer? Todos sem voz e sem vez se olhavam aniquilados por não encontrarem um meio de evadirem-se. Mas a força do pensamento começa a funcionar. Fixam-se os olhares e um vai adivinhando o pensamento do outro. Olhos cada vez mais arregalados e penetrantes vão mirando como prontos para tirar um RX esperando a hora “h”. Enquanto a bruxa fazia um grande esforço para mexer, pois aquele caldo estava engrossando devido ao cozimento e consequentemente ficando mais pesado, levantaram-se todos ao mesmo tempo e sem nenhum milésimo de segundo de atraso soltaram um forte espiro: ‘atchim’! A bruxa levou tamanho susto que ao contorcer-se pelo reflexo, trouxe aquela enorme pá rente ao seu nariz como que raspasse de dentro para fora o qual foi parar dentro da fervura. As crianças acharam tanta graça que as gargalhadas foram incontroláveis. Selem, envergonhada por ter perdido sua prótese de silicone, coloca a mão sobre o verdadeiro e diminuto nariz para ocultá-lo e começa a chorar. Em seguida, humilhada exclama: “Saiam, saiam todos eu nunca mais quero ver vocês!” e dirigindo-se a porta, ela mesma toma a iniciativa de levantar o trinco que os fixava libertando de seus aposentos. Foi assim que as crianças ganharam a liberdade enquanto a bruxa se aprisionava em sua própria vaidade.
 
Selem era uma bruxa muito vaidosa e estava descontente com o tamanho de seu nariz. Ela queria um nariz grande, mais muito grande, pois o nariz é a sua principal característica. A vassoura é só um instrumento externo e ela tem ao alcance a opção que desejar. Então seu problema era mesmo o nariz. Foi aí que ela começou a fazer cirurgias plásticas para ganhar tamanho e forma mais aprimorada. Ela queria que seu nariz além de grande e inclinado para baixo, que fizesse um arco, uma semicircunferência. A princípio foi infiltrado silicone entre a pele e a cartilagem, mas esse processo não atingiu o resultado esperado, pois a pele do nariz não tem muita elasticidade. Então foi desenvolvida uma prótese móvel, para que tirasse a hora que quisesse. Mas é óbvio que isso ela só fazia quando ia dormir, pois mesmo estando sozinha gostava de ir ao espelho e dizer: “Espelho, espelho meu”! Existe um nariz maior e mais curvado do que o meu? E ali se admirava e ensaia as suas mais altas e maldosas gargalhadas: kkkk...
 
Certo dia resolveu aprontar com as crianças de sua circunvizinhança e para atraí-las fez uma ótima proposta: saiu com um alto falante anunciando.
 
_ Convido a vocês todos meus amiguinhos, para assistirem uma peça teatral infantil, em minha casa onde vários personagens de histórias clássicas estarão desfilando e representando suas vidas com os figurinos das ilustrações que vocês já conhecem. Ninguém precisa pagar ingresso e os comes e bebes também será cortesia da casa.
 
Pedro um pouco desconfiado pergunta a um de seus coleguinhas:
 
_ Joaquim será mesmo verdade o que a bruxa Selem está se propondo?
 
_ Pois olha Pedro! Para saber se é verdade ou não a gente precisa ir lá, mas só nós, não dá coragem! Vamos ver se há mais alguém disposto a encarar essa aventura?
 
E assim se juntam numa galerinha, uns mais corajosos, outros mais desconfiados e meninos e meninas para lá se dirigem. Ao se adentrarem para assistirem a tal apresentação, nem vestígio de palco, muito menos de personagens das tradicionais histórias. E o pior de tudo, ao entraram a bruxa trancou a porta e nessa ação já estavam em seu poder. Todos ficaram com muito medo e, muito unidos aguardavam ao desfecho que teriam de enfrentar. Sonia, uma das meninas, pegou a vassoura da bruxa que estava apoiada na parede e tentou colocar por debaixo da porta, para alavancar o encaixe do trinco, pois a mesma não era rente ao assoalho. Porém o cilindro do cabo da vassoura tinha maior espessura e mesmo que desse certo a bruxa estava muito atenta e já foi dizendo:
 
 _Deixe minha vassoura aí menina! Está pensando que pode decolar com ela?
 
_ Não, não dona Selem, eu só estava admirando o seu instrumento voador!
 
E enquanto o fogo devorava gravetos aquecendo aquele ambiente como também um enorme caldeirão cheio de não sei o quê, aquela galerinha sem ter por onde fugir rezava para que qualquer coisa desse errado e assim pularem fora.
 
_ Kkkk! Pensaram que iriam assistir um teatro, pois a peça era essa: pegar vocês. Logo, logo saberão do meu propósito, kkkk...
 
Sobre uma chapa de ferro, o caldeirão já começava a ferver e Selem derramava ingredientes sem medidas. Lá foi pimenta à vontade, pés de galinha preta, líquidos avermelhados de garrafas sem rótulos, pedaços de frutas com casca e tudo e tantas outras coisas que as crianças não conseguiam identificá-las.
 
_ Vocês vão provar a minha comidinha e aí vão crescer muito mais rápido e terão muito mais forças e nunca mais serão os mesmos!
 
Mas será que era isso mesmo que ia acontecer? Todos sem voz e sem vez se olhavam aniquilados por não encontrarem um meio de evadirem-se. Mas a força do pensamento começa a funcionar. Fixam-se os olhares e um vai adivinhando o pensamento do outro. Olhos cada vez mais arregalados e penetrantes vão mirando como prontos para tirar um RX esperando a hora “h”. Enquanto a bruxa fazia um grande esforço para mexer, pois aquele caldo estava engrossando devido ao cozimento e consequentemente ficando mais pesado, levantaram-se todos ao mesmo tempo e sem nenhum milésimo de segundo de atraso soltaram um forte espiro: ‘atchim’! A bruxa levou tamanho susto que ao contorcer-se pelo reflexo, trouxe aquela enorme pá rente ao seu nariz como que raspasse de dentro para fora o qual foi parar dentro da fervura. As crianças acharam tanta graça que as gargalhadas foram incontroláveis. Selem, envergonhada por ter perdido sua prótese de silicone, coloca a mão sobre o verdadeiro e diminuto nariz para ocultá-lo e começa a chorar. Em seguida, humilhada exclama: “Saiam, saiam todos eu nunca mais quero ver vocês!” e dirigindo-se a porta, ela mesma toma a iniciativa de levantar o trinco que os fixava libertando de seus aposentos. Foi assim que as crianças ganharam a liberdade enquanto a bruxa se aprisionava em sua própria vaidade
 

 

 
 
 
 
 
 
Jpg Bruxinha
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