Havia uma floresta muito espessa a ponto de quem nela entrasse não tivesse vista para o firmamento. Devido seus lenhos muito nobres ninguém podia tocá-la. Certo dia um explorador que estava passando por lá e infiltrando-se na mata encontrou uma árvore gigantesca, cujo tronco muito resistente e de uma circunferência jamais medida. Encantado com o grande tesouro da natureza quis lhe dar um destino aventureiro, pois se ali permanecesse poucos seres iriam usufruir de sua magnitude. Então contratou muitos trabalhadores para que a derrubassem cortando bem rente ao solo para evitar qualquer desperdício. Arrastada e levada para serralheria sua madeira foi beneficiada até que se transformou num navio mercante. Depois disso, vivia atravessando os mares transportando de tudo e mais um pouco. Cargas pesadas como produtos a granel, cargas leves como especiarias, cargas valiosíssimas como ouro, esmeraldas, diamantes e também nobres corajosos que queriam desvendar novos horizontes.

    Aquela mata continuou cheia de magia cujos moradores eram instáveis, pois saltitavam de galho em galho buscando seu sustento e lazer.

     Passado um tempo, outro aventureiro teve contato com o mesmo local e sem saber o porquê daquela pequena fresta que se abria na densa mata teve a ideia de construir um pequeno castelo para apreciar bem de perto o som contagiante da fauna ali preservada. Porém, não se preocupou de averiguar o subsolo quando foi implantar os alicerces, achando um pouco estranho, a difícil escavação. Quando o castelo ficou pronto, começou a ser habitado. Como muitos resíduos e dejetos ali eram depositados foram imergindo-se no solo e geraram uma espécie de energia acordando o que já estava adormecido. Então o tronco começou a germinar novamente. Suas raízes desceram nas profundezas atingindo um lençol de uma substância muito rara que absorvida deu impulso ao seu crescimento. O tronco começou aflorar-se e distanciar-se do solo. Um pouco assustados, mas também encantados com o fenômeno resistiram e não quiseram sair de lá. A princípio quando o castelo ainda estava entre os arbustos desciam e subiam buscando frutas e outras espécies para seu sustento. Quando viram que o tronco não ia parar de crescer, trataram de armazenar muitas sementes e começaram a ter vida autossustentável. Plantavam em pequenos vasos e floreiras que circundavam uma parte do castelo. O tronco atingiu até a copa das ramagens e por lá permaneceu por muito tempo dando uma vista esplêndida aos seus moradores. Em sua vida autossustentável, quando chovia, eles armazenavam água da chuva, quando fazia sol, tomavam banho de sol e quando o sol se escondia por detrás das nuvens eles faziam o que dava “na telha”.

     Uma noite, enquanto dormiam, foram surpreendidos por uma grande tempestade. O vento soprou tão forte, mas tão forte mesmo que o castelo foi atirado para o espaço. Mas como castelo é tão forte que não se desmancha nem mesmo com a tempestade, ele continuou intacto e foi para os ares “sem eira nem beira”. Desse dia em diante o castelo e seus moradores tornaram flutuantes. Lá estavam reis, rainhas, príncipes, princesas, fadas e outros títulos que só recebe quem é muito importante.

    Com o decorrer do tempo o castelo entrou numa corrente de vento que mudou sua órbita indo parar noutra galáxia ainda desconhecida pelos astrônomos. Então durante muito tempo, observadores tentaram localizá-lo, mas nem mesmo com o maior telescópio do mundo isso foi possível.

     O tronco que cresceu até a copa das ramagens, transformou-se em púlpito para reis da selva que discursavam e criavam leis para defender seu território.

    Aquele navio do início da história, depois de ter servido durante mais de um século como meio de transporte, naufragou em alto mar e hoje é um dormitório das sereias.

    O castelo foi parar num planeta de muitos anos luz da terra e ninguém sabe explicar qual o combustível que sustentou sua locomoção e nem como desviou de tantos meteoritos que estão caindo no espaço.

     Nesse castelo estão morando todos aqueles que se contam nas histórias: “que se casaram e foram felizes para sempre”.   

 

 

 

 

 

Arte e Formatação:

AugustaBS

 

 

 

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