Robert Burns; O Bardo de Ayrshire Bard

 

 

Robert Burns (1759-1796) é mais conhecido pelos seus poemas e canções que refletem a herança cultural da Escócia. Nasceu em Alloway, Ayrshire, na Escócia. Era o mais velho dos sete filhos de um fazendeiro arrendatário, William Burnes, e sua esposa, Agnes Broun.

Burns tinha pouca educação formal e académica, mas lia literatura inglesa e absorvia as tradicionais canções folclóricas e contos do seu ambiente rural, na sua maioria no dialeto escocês.
Começou a compor canções em 1774 e publicou seu primeiro livro, dePoemas no Dialeto Escocês , em 1786.
O trabalho foi um sucesso de crítica, e os seus poemas, tanto em escocês como em inglês, abordando temáticas variadas, sedimentaram o enorme encanto que Burns projectava em que o lia.

 

 

Depois da segunda edição dos seus poemas, dedicou-se à composição de canções populares e escreveu cerca de trezentas. Em todas elas, contudo, apreciava-se um crescente interesse do poeta por reflectir com realismo o espírito popular sem perder por isso o rigor poético.

Os seus poemas pressupõem o romantismo e a comédia e são simples e espontâneos, e a sua escrita poética é inspirada em temas como a aldeia, a natureza e os seus amores. Numa palavra; a grande temática campesina, tão em voga na sua época, de par com a palaciana.

Robert Burns faleceu aos 36 anos, em Dumfries, a 21 de Julho de 1796.

 

 

Robert Burns foi, nas palavras de Jorge de Sena; "Um dos maiores líricos da poesia universal".
Embora com poesia ainda publicada em vida, a obra poética coligida em 1801 foi, regressando às palavras de Jorge de Sena; “um dos maiores fermentos do Romantismo, a cujos ideais de licença erótica na poesia e na vida se pode dizer que ele sacrificara a sua. Pela liberdade apaixonada, o erotismo desenfreado, a pungência dorida, a malícia viril, o domínio absoluto de uma linguagem que é menos dialectal do que fabricada por ele com dialecto e inglês literário, a arte consumada de uma musicalidade perfeita, a sua grandeza de lírico é extraordinária. Mas nem a simplicidade aparente, nem o tom popular, excluem uma aguda perspicácia e uma culta desenvoltura, que tudo absorviam e tornavam em original poesia que foi uma lufada de ar fresco nos convencionalismos poéticos do século XVIII. Sátira violenta e revolucionarismo libertário igualmente estão presentes nesta poesia desavergonhadamente autobiográfica “.

Apresentado que está o poeta pela voz autorizada de um mestre, vamos a alguma da sua poesia.

 

 

ANA

(tradução de Jorge de Sena)

Aí vinho que ontem bebi
escondido numa choupana
quando em meu peito senti
os negros cabelos de Ana!
O judeu lá no deserto
que bebia o que Deus mana
não sabia o mel oferto
nos lábios ardentes de Ana!

Reis, tomai o Leste e o Oeste,
desde o Indo até o Savana,
mas dai ao corpo que as veste
as formas trementes de Ana!
Encantos desdenharei
de imperatriz ou sultana
pelo prazer que darei
e tomarei só com Ana.

Vai-te, faustoso deus diurno!
Vai-te, pálida Diana!
Suma-se o claror nocturno,
quando eu me encontro com Ana!
Venha a noite em negro manto!
Sol, Lua, Estrelas, deixai-nos!
Só com penas de anjo o encanto
direi dos gozos com Ana.

 

 

Os seus poemas encontram-se na colecção de poemas licenciosos The Merry Muses, publicada em 1799. É dela também a balada Roger e Molly, que segue.

 

ROGER E MOLLY
(tradução de Jorge de Sena)

À sombra do chorão, que se alongava,
Molly, tão bela, de amor suspirava,
Seu gado era em redor,
Ora fazendo meia, ora cantando,
o mesmo pensamento ia soltando:
“Quão fundo é meu amor”.

O jovem Roger que por lá passava
ouviu quanto de amor’s Molly cantava
com que magoado ardor.
Saltando a sebe, aproximou-se dela,
veio estender-se ao pé de Molly bela:
“Quão fundo é meu amor”.

Molly corou de um breve susto inquieto:
“Que graça a tua, agora fica quieto”.
E os olha num langor…
“Quebra-se a agulha, a meia me desfazes…
Cantava, e não pensava nos rapazes,
“Quão fundo é meu amor”.

Bruto! Oh, beijos não… Tira! Sou tua…
Agora, agora… pára… continua…
Aí que eu grito de dor!
Que estás tu a fazer, patife imundo?”
E el’ arquejante como um moribundo:
“Quão fundo é meu amor”.

 

 

I LOVE MY JEAN

(tradução de Luiz Cardim)

Anda alegria no vento
sempre que vem do sol-pôr:
lá donde vive a serrana
que me enfeitiçou d’amor…
Lá nos montes, pelas fontes,
pelos pinhais, vai sozinha…
A cada momento, o vento
me faz lembrar — Joaninha!

Vejo-a nas florinhas tenras,
que dá graça de as olhar;
ouço-a no trilo das aves
que põe bruxedo no ar:
a papoila que floresce
por entre a messe, ou a vinha,
o rouxinol que gorjeia,
só me dizem — Joaninha!

 

 

 MARY MORISON

(tradução de Luiz Cardim)

Maria, assoma à janela:
chegou por fim o momento!
O teu sorriso empobrece
os oiros do avarento…
Até me fazia escravo
a moirejar noite e dia,
se como prémio tivesse
a minha doce Maria!

Ontem, ao som das violas,
a aldeia inteira bailava;
só eu, sem ouvir nem ver,
para ti, meu bem, voava…
Fossem loiras ou morenas,
nenhuma ali te vencia…
Eu, então, só me queixava
Não sois a minha Maria!

A quem por ti dera a vida,
vais, Maria, enlouquecer?
Ou rasgar-lhe o coração
sem culpa de bem-querer?
Se amor por amor não dás,
pena tem desta agonia…
Mal ficava ser cruel
à minha doce Maria!

 

 

CANÇÃO

Tenho mulher só pra mim
Não divido com ninguém
Ninguém vai me pôr chinfrim
Não ponho chifre em ninguém

Tenho um real pra gastar
Graças a quem? A ninguém
Não tenho nada a emprestar
Não empresto de ninguém

Eu não sou senhor de escravo
Nem escravo de ninguém
Com minha espada sou bravo
Mas sem ofensa a ninguém

Quero ser o alegre amigo
Sem tristeza por ninguém
Ninguém se importa comigo
Não me importo com ninguém

Robert Burns

 

 

Pesquisa e edição:
 

 

Sintra, Portugal

26 de Janeiro de 2016

 

( Fontes:  Internet )
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

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