Inês de Castro
( 1220-25  /   1355 )
 

D.ª Inês de Castro (Reino da Galiza, ca. 1320/1325 ? Coimbra, 7 de Janeiro de 1355) foi uma nobre galega, rainha póstuma de Portugal, amada pelo futuro rei D. Pedro I de Portugal, de quem teve quatro filhos. Foi executada por ordem do pai deste, o rei D. Afonso IV. Era descendente direta do rei Sancho I de Aragão pois era trineta, por via masculina, de Fernão Guterrez de Castro.
 
 
 
Inês e Pedro
 
 

Inês de Castro, aquela que depois de morta foi raínha de Portugal.A lenda, mais do que a História, tornou esta mulher imortal. Vibrantemente amada e  bárbaramente assassinada, ficou na poeira dos tempos um rastro brilhante, que fez dela Musa inspiradora de poetas, músicos e pintores. Durante mais de seis séculos Inês sobreviveu também às pedras que testemunharam a sua trágica sorte.Luis Vaz de Camões dedicou-lhe algumas estrofes nos seus "Lusiadas", tal a importância histórica da vida de Inês. Aqui vos deixo as principais estrofes consagradas à sua saga.
 
                                                                                                     Eugénio de Sá
 
 
 
 
 
    Os Lusíadas  - Camões
             Episódio: INÊS DE CASTRO
  119
      Tu, só tu, puro amor, com força crua,
      Que os corações humanos tanto obriga,
      Deste causa à molesta morte sua,
      Como se fora pérfida inimiga.
      Se dizem, fero Amor, que a sede tua
      Nem com lágrimas tristes se mitiga,
      É porque queres, áspero e tirano,
      Tuas aras banhar em sangue humano.
 120
      Estavas, linda Inês, posta em sossego,
      De teus anos colhendo doce fruito,
      Naquele engano da alma, ledo e cego,
      Que a fortuna não deixa durar muito,
      Nos saudosos campos do Mondego,
      De teus fermosos olhos nunca enxuito,
      Aos montes insinando e às ervinhas
      O nome que no peito escrito tinhas.
 121
      Do teu Príncipe ali te respondiam
      As lembranças que na alma lhe moravam,
      Que sempre ante seus olhos te traziam,
      Quando dos teus fernosos se apartavam;
      De noite, em doces sonhos que mentiam,
      De dia, em pensamentos que voavam;
      E quanto, enfim, cuidava e quanto via
      Eram tudo memórias de alegria.
122
      De outras belas senhoras e Princesas
      Os desejados tálamos enjeita,
      Que tudo, enfim, tu, puro amor, desprezas,
      Quando um gesto suave te sujeita.
      Vendo estas namoradas estranhezas,
      O velho pai sesudo, que respeita
      O murmurar do povo e a fantasia
      Do filho, que casar-se não queria,
 123
      Tirar Inês ao mundo determina,
      Por lhe tirar o filho que tem preso,
      Crendo co sangue só da morte ladina
      Matar do firme amor o fogo aceso.
      Que furor consentiu que a espada fina,
      Que pôde sustentar o grande peso
      Do furor Mauro, fosse alevantada
      Contra hûa fraca dama delicada?
 
128
      E se, vencendo a Maura resistência,
      A morte sabes dar com fogo e ferro,
      Sabe também dar vida, com clemência,
      A quem peja perdê-la não fez erro.
      Mas, se to assi merece esta inocência,
      Põe-me em perpétuo e mísero desterro,
      Na Cítia fria ou lá na Líbia ardente,
      Onde em lágrimas viva eternamente.
 129
      Põe-me onde se use toda a feridade,
      Entre leões e tigres, e verei
      Se neles achar posso a piedade
      Que entre peitos humanos não achei.
      Ali, co amor intrínseco e vontade
      Naquele por quem mouro, criarei
      Estas relíquias suas que aqui viste,
      Que refrigério sejam da mãe triste.)
                      (?.)
132
      Tais contra Inês os brutos matadores,
      No colo de alabastro, que sustinha
      As obras com que Amor matou de amores
      Aquele que despois a fez Rainha,
      As espadas banhando e as brancas flores,
      Que ela dos olhos seus regadas tinha,
      Se encarniçavam, fervidos e irosos,
      No futuro castigo não cuidosos
                      (?)
134
      Assi como a bonina, que cortada
      Antes do tempo foi, cândida e bela,
      Sendo das mãos lacivas maltratada
      Da minina que a trouxe na capela,
      O cheiro traz perdido e a cor murchada:
      Tal está, morta, a pálida donzela,
      Secas do rosto as rosas e perdida
      A branca e viva cor, co a doce vida.
 
135
      As filhas do Mondego a morte escura
      Longo tempo chorando memoraram,
      E, por memória eterna, em fonte pura
      As lágrimas choradas transformaram.
      O nome lhe puseram, que inda dura,
      Dos amores de Inês, que ali passaram.
      Vede que fresca fonte rega as flores.
 
 
 
 
 
 
 
A morte trágicade inês de Castro
 
 
 
 
Túmulo de Pedro e Inês   -  lado a lado
 
 

Fonte dos Amores

Fonte das Lágrimas

 
 
                                                                   
 

 

 

Pesquisa e edição:

( Fontes: Internet )
 

 

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