Carmina Burana, em português :  "Canções da Beuern"
 
 

Carmina Burana, em português: "Canções da Beuern",  sendo "Beuern" uma abreviação de
 
Benediktbeuern, é o nome dado a poemas e textos dramáticos manuscritos do século XIII.

As peças são, em sua maioria, picantes, irreverentes e satíricas, e foram escritas
 
principalmente em latim medieval, algumas partes em médio-alto-alemão e alguns com
 
traços de Francês antigo ou provençal. Há também partes que constituem uma mistura
 
de latim vernáculo, alemão ou francês.

Os manuscritos reflectem um movimento europeu "internacional", com canções originárias de
 
França, Inglaterra, Escócia, Aragão, Castela e do "Sacro Império".

Vinte e quatro poemas do Carmina Burana foram musicalizados por Carl Orff em 1936;

a composição de Orff rapidamente se tornou popular, o movimento de abertura e de fecho
 
"O Fortuna", tem sido utilizada em filmes e eventos se tornando a peça clássica mais ouvida
 
desde que foi gravada.
 
 
 
 
 
 
 
Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi
 
 

 

O Fortuna,

Ó sorte

Velut Luna

És como a Lua

Statu variabilis,

Mutável,

Semper crescis

Sempre aumentas

Aut decrescis;

Ou diminuis;

Vita detestabilis

A detestável vida

Nunc obdurat

Ora oprime

Et tunc curat

E ora cura

Ludo mentis

aciem,

Para brincar com a mente;

Egestatem,

Miséria,

Potestatem

Poder,

Dissolvit ut glaciem.

Ela os funde como gelo.

Sors immanis

Sorte imensa

Et inanis,

E vazia,

Rota tu volubilis

Tu, roda volúvel

Status malus,

És má,

Vana salus

Vã é a felicidade

Semper dissolubilis,

Sempre dissolúvel,

Obumbrata

Nebulosa

Et velata

E velada

Michi quoque niteris;

Também a mim contagias;

Nunc per ludum

Agora por brincadeira

Dorsum nudum

O dorso nu

Fero tui sceleris.

Entrego à tua perversidade.

Sors salutis

A sorte na saúde

Et virtutis

E virtude

Michi nunc contraria

Agora me é contrária.

Est affectus

Et defectus

E tira

Semper in angaria.

Mantendo sempre escravizado

Hac in hora

Nesta hora

Sine mora

Sem demora

Corde pulsum tangite;

Tange a corda vibrante;

Quod per sortem

Porque a sorte

Sternit fortem,

Abate o forte,

Mecum omnes plangite!

Chorai todos comigo!

 

 

 

O FORTUNA  ( 2 mintutos e 36 segundos ):

 
 
 
 
 

Carl Orff

 

O compositor alemão Carl Orff musicou alguns dos Carmina Burana,

compondo uma cantata homônima. Com o subtítulo "Cantiones profanae cantoribus et choris

cantandae", a obra, por suas caracteristicas, pode ser definidada também como uma

"cantata cénica". Estreou em junho de 1937, em Frankfurt e faz parte da trilogia "Trionfi" que

Orff compôs em diferentes períodos, e que compreende os "Catulli carmina" (1943)

e o "Trionfo di Afrodite" (1952).

 

A roda da fortuna, no Codex de Carmina Burana

 

 

Carmina Burana - a ópera profana

 

 "Carmina Burana" é uma peça muito conhecida. Quem viu os filmes de "Conan o Bárbaro"

deve se lembrar dela. Eis a história: A origem histórica dos goliardos situa-se em torno do século XII,

quando o renascimento económico comercial rompe o imobilismo dos séculos precedentes

e aumenta a mobilidade social.

 A própria dificuldade de enquadrar os goliardos dentro de um esquema social preciso, como acontecia

na Alta Idade Média, quando os papéis sociais eram bem definidos, gera suspeita e escândalo

entre os conservadores da época.

 Os goliardos, afinal, são jovens intelectuais de espírito livre que, por sua condição económica e social,

são impedidos de se tornar professores das universidades medievais ou mesmo de prosseguir seus estudos,

tornando-se intelectuais marginalizados, rebeldes, vivendo de expedientes, eventualmente a serviço dos

ricos, seguindo o mestre preferido ou permanecendo onde ensinam professores famosos.

Anárquicos, são opositores de todos aqueles que se reconhecem nas castas sociais medievais,

 não só aqueles associados ao poder eclesiástico ou político mas também aqueles que estão presos à

mediocridade e à ignorância, como os camponeses. Por sua feroz crítica anti-papal, são frequentemente

associados ao partido gibelino mas na realidade os goliardos vão além: vêm no Papa não apenas o hipócrita

tutor da tradição moral mas também o expoente de uma hierarquia organizada sob a nova força do

dinheiro: L'ordine del clero ai laici è in mala fama: la sposa di Gesú divien venale donna pubblica

or è, lei che era dama.

 Mas também no clero, os goliardos fazem distinção entre os párocos, que são poupados da sua crítica

corrosiva por serem considerados vítimas da hierarquia e da avidez dos frades, que, com sua hipócrita

profissão de humildade e pobreza, na realidade concorrem com os padres e se apoderam dos fiéis e dos

donativos, vivendo uma vida de gozo nos conventos.

Os goliardos sofreram perseguições e condenações, e acabaram por desaparecer da cultura dos séculos

seguintes, à qual, todavia, deixaram como herança as suas idéias que reviveriam nos intelectuais

do Humanismo, durante o Renascimento.

 
 

Alegoria à Roda da Fortuna

 
 

Uma peça musical bastante conhecida hoje, a "Carmina Burana" (do latim carmen,ìnis 'canto, cantiga;

e bura(m), em latim vulgar 'pano grosseiro de lã', geralmente escura; por metonímia, designa o hábito de

frade ou freira feito com esse tecido) é produto do trabalho dos goliardos e por essa razão é muitas vezes

designada como "a ópera profana". Trata-se de uma peça muito vibrante e imponente composta pelo alemão

Carl Orff que musicou os versos de um manuscrito dos goliardos com o mesmo nome.

 

Vale a pena ouvir esta portentosa peça musical interpretada pelas maiores orquestras em todo o mundo.

 

A ópera em video ( 1 hora e 11 minutos ): 

https://www.youtube.com/watch?v=QEllLECo4OM 

 

 

 

Pesquisa, investigação  e edição:

( Fontes: Internet )
 

 

Tube Still_Life_110

Wav:Carmina_ Burana_O_Fortuna_Carl_Orff_Andre_Rieu 

 

 

VOLTAR