TIRADENTES: O QUE A HISTÓRIA NÃO CONTOU
Edilson Xavier de Menezes
===Edmen===

O que a história não contou sobre Tiradentes, atrevo-me, com a devida vênia, a dizer, até como desagravo a memória do mártir e um complemento da história.

Joaquim José da Silva Xavier, o alferes da milícia da corte, cognominado "Tiradentes". Iniciado na sublime ordem maçônica, onde conheceu a luz menor. Entusiasta, o jovem Tiradentes aprendeu além de outros o ofício básico de dentista sem cursar nenhuma escola. Usava sua prática gratuitamente pelo prazer de aliviar a dor daquele que necessitasse de seus serviços, sentindo-se feliz por ser útil ao seu semelhante.
Tiradentes ficou órfão de pai e mãe aos 15 anos de idade, ficando sob a custódia de um tio até a maioridade.
Entusiasta da liberdade gostava de ser livre como declarado fora em sua iniciação maçônica.

Naquela época, o Brasil era apenas uma colônia, considerada uma ilha, sem ter conhecimento de sua extensão e cuja ilha por força do descobrimento feito por Pedro Álvares Cabral, navegante português, por direito pertencia a Portugal.

Tiradentes, nascido nessa ilha, nas terras das minas gerais, vendo o povo do Brasil colônia serem demasiadamente explorados pela corte portuguesa na extração do ouro, resolveu e tomou por decisão criar um movimento de libertação. Para tanto escolheu a dedo seus companheiros. Todos eram irmãos de maçonaria, iniciados e pertencentes à mesma obediência, que perfaziam um total de quinze, (há controvérsia quanto à totalidade dos inconfidentes). Dentre os quinze, além de Tiradentes, fazia parte do movimento o poeta e escritor Cláudio Manoel da Costa, que era o mesmo Dirceu (personagem da obra, Marilia de Dirceu escrita por Thomás Antonio Gonzaga) cuja paixão pela jovem Maria Dorothéa Joaquina de Seixas, que era a mesma Marília, o fazia delirar, de cuja paixão guardava segredo, pois essa era sua musa idolatrada e inspiradora de seus poemas, e cuja musa também foi à inspiradora do livro de Thomas Antonio Gonzaga, ficando conhecida na história como Marília de Dirceu pelo romance que escreveu inspirado nos dois apaixonados, Marília e Dirceu ou Maria e Claudio. A história diz o inverso, que o apaixonado de Maria Dorothea era o também poeta, Thomas Antonio Gonzaga. Consta também e diz a história que Dirceu e Marília, ou Claudio e Maria Dorothea consagraram o mais belo romance colonial.

Entre os demais inconfidentes, figuravam Padre Oliveira Rolim, Joaquim Silvério dos Reis, Alvarenga Peixoto, cônego Luiz Vieira da Silva, entre outros. Observem que naquela época a maçonaria já abrigava em seu seio de luz, padres, cônegos e outros tantos religiosos. Toda discussão e plano do movimento de libertação se davam em reuniões discretas, sob a liderança de Tiradentes. Thomas Antônio Gonzaga estudava direito nos Estados Unidos da América e sempre era ele o incumbido de contatar o governo americano para obter o apoio ao movimento idealista de libertação e deixá-lo informado do avanço e estratégia do plano. Embora desse governo tivesse total apoio, orientações lhes eram dadas no sentido do perigo que corriam e da responsabilidade que recaia sobre todos. O que ninguém sabia, o governo dos Estados Unidos era todo composto por mações, daí a liberdade do enviado do movimento ter passagem livre no palácio governamental.

UM TRAIDOR NO MOVIMENTO.


O coronel da cavalaria geral, Joaquim Silvério dos Reis era devedor de uma vultosa quantia ao reino português. Fazendo parte e conhecedor do movimento de libertação, fez um acordo de perdão da dívida que tinha com seu governo em troca de informações detalhadas, delatando ao visconde de Barbacena o movimento e seus idealizadores, o fazendo em carta de próprio punho. Aqui abro um parêntese, para dizer que, quase sempre, o vil metal (dinheiro) está acima do caráter e do ideal de alguns fracos homens. Assim como o Divino Mestre foi traído em troca de dinheiro, Tiradentes também o foi, quase coincidindo com a mesma cena praticada por Judas Iscariotes. Dessa vez repetida pelo espúrio Silvério dos Reis. Dado o acontecimento, preso foi Tiradentes e seus companheiros, menos Silvério.
Tiradentes, no ato de sua prisão, cobriu-se com a bandeira do Brasil (na ocasião) que ele mesmo idealizara e desenhara, (sendo hoje, essa bandeira, o símbolo máximo do estado de Minas Gerais) entregando-se sem reação aos comandantes de sua prisão.

O presídio da ilha das cobras foi o lar de Tiradentes por três anos, onde sofreu toda espécie de tortura física e mental.
Os demais companheiros de Tiradentes foram condenados ao degredo na África, sem conhecimento deste, exceto Thomás Antonio Gonzaga que fez companhia a Tiradentes na mesma ilha das cobras, em celas diferentes, sem que um não soubesse que o outro estava ali.
Por três anos, todos os dias, Tiradentes era interrogado e torturado, com a promessa de seus torturadores de libertá-lo se assinasse um documento de culpa, delatando seus companheiros, que também, segundo seus torturadores, foram condenados a morte, pois, se assim o fizesse, a carta denunciante de Silvério dos Reis teria mais crédito e validaria sua denúncia, o que Tiradentes recusou-se sempre, assumindo a culpa pelo movimento. (Aí se denota o caráter do homem iluminado).
Diante de sua constante recusa em denunciar seus companheiros, foi Tiradentes condenado pela corte, à morte, por enforcamento.

O PALCO DO ESPETÁCULO PÚBLICO.

Montado o palco do espetáculo público, na lampadosa, foi Tiradentes conduzido, vestindo uma túnica branca, símbolo dos condenados da época. Tiradentes caminhou descalço, em passos certos e cabeça sempre erguida. Subiu ao cadafalso composto por uma escada de madeira com onze degraus, conduzido por seu executor, o escravo "capitania", de quem Tiradentes havia há tempos aliviados suas dores pela extração de um dente enfermo. Perguntado que fora, o que desejava antes de morrer, respondeu com um último brado de coragem: Se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria (Seriam as vidas de seus companheiros). Naquele instante pediu à capitania, quando o cadafalso se abrisse sob seus pés, montasse em seus ombros. Antes, porém, beijou as mãos do seu executor, dizendo-lhe, oh! Meu amigo deixe beijar-lhe também os pés. Capitania chorou, lágrimas viam-se desenhar no rosto negro do escravo. Naquele momento, no mínimo capitania sentia-se o pior dos homens, como escravo, obrigado que era a cumprir as ordens que lhe impusera a corte, sendo o executor daquele que outrora se sentiu feliz por aliviar-lhe a dor que tanto o deixava infeliz. Vendo as lágrimas escorrerem no rosto do escravo, Tiradentes ordenou-lhe: Faça o que tem que fazer, seja breve.
Abre-se o cadafalso, um corpo rodopia no ar pendurado por uma corda. O escravo faz o que Tiradentes lhe pedira. Monta em seus ombros, como se cavalgasse o mais belo dos alazões. O corpo desfalece solto no ar já sem vida. Tiradentes não sufocou, não houve tempo para tanto. O peso de seu corpo somado ao de capitania foi mais que suficiente para romper a primeira vértebra da coluna cervical. Portanto Tiradentes não morreu enforcado como conta a história.

AH! HERANÇA INQUISITÓRIA ABOMINÁVEL!

Do corpo esquartejado e espalhado em quatro lugares diferentes, um foi exposto em um poste de onze metros e no ápice uma estrutura de ferro vigiada dia e noite por onze soldados, onde enquadrava a cabeça de Tiradentes, para que todos vissem e se lembrassem do poder da corte. No terceiro dia, misteriosamente a cabeça de Tiradentes, daquele local sumiu, apesar da vigilância. Buscas militares foram feitas por vários dias sem sucesso. A cabeça de Tiradentes jamais foi encontrada. Somente seus irmãos sabem aonde ela se encontra.
Vozes invisíveis entoaram um cântico desconhecido, mas audível pelos presentes. Uma alma iluminada já não habitava àquele corpo decapitado e esquartejado. Sua alma subia a outras dimensões, desenhando-se no céu o seu trajeto e um portal abria-se, onde na sua entrada seus irmãos, do outro lado, o aguardavam conduzindo aquela alma ao trono da Luz Maior do Oriente Eterno.

A CONCLUSÃO DO MOVIMENTO.

Trinta anos passados, um jovem príncipe era iniciado na mesma sublime ordem onde Tiradentes o fora, passando pelo grau de aprendiz, companheiro e mestre, buscando maiores conhecimentos, com novas iniciações, nos graus superiores, até alcançar o grau de Cavaleiro do Real Segredo, onde ali conheceu a verdade. Entre os escritos arquivados de Tiradentes, havia um que dizia: Na minha falta, haverá de vir um homem para concluir minha obra, que é justa, perfeita e bela. E assim, a 24 de agosto de 1822, Dom Pedro I, nos corredores da maçonaria dava o grito de independência do Brasil, para torná-lo público às margens do riacho Ipiranga, em sete de setembro do mesmo ano. Ficando assim o Brasil liberto de Portugal, deixando de ser colônia para ser a grande nação em que se tornou, concluindo-se aí a obra de liberdade sonhada por Tiradentes. O leitor há de convir que, para que um homem vá de encontro e contra as ordens paternas e de seu reino, deve ao menos haver uma razão justa para seu ato. Dom Pedro I amava e idolatrava tanto o Brasil, que para descansar em seu leito de morte, foi necessário que se colocasse um punhado de terra brasileira sob seu travesseiro, irmanando com aquele pó as duas nações, hoje em célere progresso e sob a proteção de Deus.


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Edilson Xavier de Menezes

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Edilson Xavier de Menezes/ Edmen

 

 

 

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