MANHÃ BRANCA

Paulo Silveira de Avila

Manhã branca, flutuante, esvoaçante,
sol nascente.
Arde em chamas o dia peito a dentro,
corpo, frêmito de êxtase,
solta o grito aprisionado,
rastros varridos pelo vento.
Para onde me leva a bussola do tempo,
navego, que ousar é tudo que preciso.
Um fio de eternidade nas lembranças,
uma nuvem de chuva,
um anjo, uma estrela, uma ilha.
Um foco de luz incendeia os olhos da musa,
fragmentos de mim, sobre mim,
no fundo desta cantiga amiga
a flor abriu em ti.

 

 

 

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