Lisboa,
o meu amor a esta cidade

Eugénio de Sá

O meu amor a esta cidade inspirou-me este apontamento sobre a sua magia,
o seu encanto que nos enche a alma mal lhe mergulhamos nas entranhas.
Quando a noite lhe beija as colinas, Lisboa acorda para o fado e pelos seus bairros
mais antigos ouvem-se os primeiros acordes das guitarras que se afinam para as vozes
dos fadistas. Lisboa então torna-se mais bela ainda, mais sedutora, prepara-se para
mais uma noite de amor com as suas gentes e os muitos turistas que, curiosos,
acorrem aos seus recantos de culto, onde o fado é rei.

Vivi muitos anos em Lisboa, nasci num dos seus bairros mais antigos e mais belos.
Frequentei-lhe os restaurantes, as tasquinhas, os "caveau"... conheci-lhe quase todos os segredos,
e também adorei saborear-lhe o cacau na Ribeira, ao raiar da alva, depois de uma noite de boémia.
Nunca fui o que usa chamar-se um “marialva”, mas provei desse absinto que nos deixa à beira do extasio.

Hoje, qual eremita electivo, vivo a uns escassos vinte quilómetros do limiar da “minha cidade”
e vou lá vez por outra para matar saudades, quase sempre aos domingos ou feriados,
quando o bulício a abandona e a deixa em sossego. É a minha forma de lhe dizer
que continuo a amá-la, mas agora à distância, embora sempre atento ao que por lá se passa.
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