Lisboa é mesmo assim...

Eugénio de Sá


 
E o Tejo, a seus pés, testemunhou
Os amores que em Lisboa aconteceram
Uns libertos, floridos, que aprovou
Outros, feridos de morte, pereceram.

Mas ela vive, e permanece ainda
Cada dia mais nobre, mais amante
Desce as sete colinas sempre linda
E vai beijar o Tejo, palpitante.

E pla noitinha vai ouvir o fado
prova do vinho novo nas tasquinhas
e satisfaz-se c'o um chouriço assado


Já madrugada alta ora às alminhas
Que dormir sem rezar inda é pecado
E Lisboa é assim, doce e traquinas