Maria José Zanini Tauil
Pseudônimo ou Nickname: Jô Tauil
Nacionalidade: Brasileira
Aniversário: 3 de Setembro

 

Sou Maria José Zanini por parte de pai...Tauil por parte de marido.
Há pedaços de mim por aí es- pa - lha – dos pelo chão da existência.
Dele, levanto-me cambaleante...vivo desvendando tardes caídas luas minguadas, o frescor da chuva e o olhar da criança...
As metáforas da vida recolho em detalhes. Elas são acordes dissonantes:
É o choro que choro ou o riso que ensaio. São frutos recolhidos no interlúdio de mim.
Sou poeta...e poetas são iguais.:
Não temos medo de amar...de ousar...muito menos de sonhar!
Professora de Língua Portuguesa e Literatura/4 livros-solo/ participação em 30 antologias/15 e books/ membro AVBL e ABRALI

AO ESPELHO
Maria José Zanini Tauil

À frente do espelho
Que como encantado
Mostra o que perdi
Os sonhos rosados
Meu céu nacarado
E caminhos suaves
Que jamais percorri

Vejo compactadas
Todas as esperanças
Que teimam em renascer
Porque lá no fundo
Ainda brilha um sol
Que se amotina por trás
Das esperanças vãs

As ideias em êxodo
Perambulam por veredas
De desalento e tristeza
Mas a cor do amanhecer
Espraia-se inconfundível
Pelos campos do coração

Embebe meus sofreres
Com o brado intolerante
Da crua realidade
Acorda-me dos devaneios
E anseios pulsam fortes

Quebro o espelho
Não importa se na minha vida
Vai chover noite e dia
Sinto-me feliz:
Ainda tenho a poesia!

AMOR EM CONSTRUÇÃO
Maria José Zanini Tauil

Amor é para ser vivido
Contemplado
Por dois seres apaixonados
E deve ser estendido
Por mares e oceanos
Por nebulosas galáxias

Fortalecido por desejos
Jamais censurado
E sempre acalorado
Pelo mútuo fascínio
Da completude...

Sinais verdes à frente
Sementes a semear
Tanto fruto pra colher
Antes do anoitecer
Porque a vida é breve

Sepulto rascunhos
Ressuscito realidades
Nada de sobreviver
Preciso é viver
Redescobrir a flor
Respirar primavera

Fazer-me surdo
Aos adversários da felicidade
Que vivem a proclamar:
"Não vês que é tarde demais?"

Prefiro quebrar as asas do tempo
O momento é agora
Finco minha bandeira
No topo do monte
Porque descobri os tijolos
Para reconstruir o amor

MICROVIDA
Maria José Zanini Tauil

Sinto-te no ventre
Da chuva árida
Derramada gota a gota
Seduzindo a enxurrada

Irônica tua melodia
De gritos e choros
Onde te tornas cinzas
E filho da tristeza

Silencias...não colaboras
Afogas-te em águas caudalosas
És embrião das trevas
Cego ao viço das flores
E ao amor que não partilhas

Vamos! Erga a cabeça!
E também o coração
Lute! Alcance as armas
Que edificam...
Que reedificam
Renasça agora!

Destrua essa cárie
Que já se agiganta
Construa um jardim
Plante esperanças!

CORRIDA DESENFREADA
Maria José Zanini Tauil

Busco interrogações
No entanto, as respostas
Se encontram em mim mesmo
Paro dessa corrida
Contemplo estrelas
Faço do sol
Luz, calor, esclarecimento
Não deixo que os sonhos
Morram em vão
Aproveito a sombra diária
E a luz do luar
Peregrino na alegria
Chega de nostalgia
Pois o amor, na verdade
É feito de simplicidade
Vamos para a janela
Porque a vida é bela
Veja o sorriso da criança
Brincando no jardim
Ela habita em mim
Quebro no relógio
Aqueles ponteiros velozes
Chega de ser escravo
Do tempo que corre e avança
Porque ainda dá tempo
De ter teu olhar no meu olhar
De juntar minha boca na tua
E ter teu corpo nas mãos...


VAMOS! BATE CORAÇÃO!
Maria José Zanini Tauil


Que culpa eu tenho
Se esse pobre coração
Parece relógio
Mas só se move com amor?

Chora, coração
Despedaça-te, se quiser...
Mas por favor!
Não desista!

Procura manter forte
O ritmo do amor
Quem sabe teu balanço
Não te impulsiona
Para a vida a ser vivida?

Sei bem que bates
Só movido por amor
Mas a lágrima da noite
É a alegria do dia

E não te preocupes
Se existem tantas lágrimas
Talvez seja somente
O transbordar do amor
E esse seja o maior
Que já viveste na vida!

QUEBRA- CABEÇAS
Maria José Zanini Tauil


Sem pálidos ecos
De lembrança desbotada
Sou reflexo de mim mesma
De olhos baixos...pouco ou nada

Grãos de areia compõem a história
Feita de sonhar e amar
Fragmentos misteriosos de mar
Que vêm no rochedo quebrar

E me enredo em teia
Recendo a maresia
Zéfiros marinhos me espalham
Torno-me praia e poesia

Jamais saberei quem fez
Ou desenhou meus pedaços
Assim tão dilacerados
Jamais voltarei
A reunir-me outra vez

Quem ousar procurar-me...
Vá juntando as peças
Porque há partes perdidas
Pelas gavetas da vida