LÊDA YARA MOTTA MELLO nasceu em Alagoas, onde reside na cidade de Arapiraca. É mãe de 3 filhos, já encaminhados na vida: Ana Tereza, formada em Relações Públicas, atualmente Gestora de Empresa; Rodrigo, formado em Administração de Empresas, também atuando na área de Gestão de Empresa; e Yara Lídia, fisioterapeuta.
É advogada, também é formada em Ciências Exatas (Matemática e Física), Orientação Educacional e Terapia. Possui uma empresa no ramo de perfumaria e cosméticos. Atualmente, exerce a profissão de Terapeuta Holística, que considera como sendo "um prêmio para a sua história de vida, uma vez que faz o que ama fazer".
Participa de algumas instituições, sendo uma das fundadoras da Fundação Antonio Jorge de Oliveira, instituição que abriga e trata menores carentes dependentes químicos; foi presidente do Rotary Clube Centro de Arapiraca.
Sua crença religiosa baseia-se na doutrina Espírita Kadercista.
Gosta de leitura, pinta telas a óleo e é apaixonada por música, paixão esta que se traduz no seu acervo de discos e no piano que toca sempre que o coração solicita.
Publicou dois livros de poemas cujos títulos são MEUS SONHOS e CAMINHOS EM RIMA E VERSOS LIVRES, este último em parceria com a poetisa Rosângela do Valle Vias, tendo, em arquivo, material suficiente para a publicação de mais dois livros nessa área e outros na área de crescimento pessoal.

Possui um site profissional intitulado LEDA YARA MOTTA MELLO - CRT 41601 cujo link é http://ledayara.terapiaholistica.net

BRUMAS
Lêda Mello

É triste o esmaecer do amor, na incerteza.
O querer bem que se conheceu um dia
Amor bonito e cheio de alegria
Ver espraiar-se em rio de tristeza

Pela saudade que de tão antiga
Já nem dói tanto, como em anuência
À uma escolha feita de ausência
Tantos mistérios... Sucumbe à fadiga

Aos poucos a névoa envolve aquele olhar
Nubla o sorriso, o jeito de falar,
Turva lembranças de um tempo risonho...

Perdido em brumas longíquo recordar
Às vezes, chega-se a se perguntar
Se foi real ou se foi tudo um sonho.

Arapiraca (AL) - Brasil

CATÁLISE
Lêda Mello

O grito abafado.
O odor de prazer.

Sementes imersas
nas gotas leitosas
que se atiram,
intrépidas,
no túnel sedoso
que acolhe a vida.

Princípio ou fim?

Arapiraca (AL) - Brasil

CONFINS DE MIM
Lêda Mello

Espera um pouco.
Antes, olha nos meus olhos,
Dize que me amas!
Depois, achega-te a mim,
Toca-me a pele.
Sem pressa,
Deixa que tuas mãos
Deslizem pelo meu corpo
E, habilmente,
Teus dedos encontrem
Os vales da minha sensualidade
E conheças todos os lugares
Marcados
Pela ânsia da minha espera...
E então, te farei homem e amado
E ficarei em ti
E tu em mim...
O tempo marcado
Pela eternidade
Dos nossos suspiros...!

Arapiraca (AL) - Brasil

EU SOU
Lêda Mello

Eu sou o que sou.
Hoje, o que não fui ontem
e o que não serei amanhã.
Um ser mutante
em contínua viagem
pelas avenidas do tempo,
no roteiro das descobertas,
buscando, em cada agora,
as respostas que sinalizem
para o que vim e para onde irei.

Eu sou
a obra inacabada
burilando, continuamente,
os traços que a completem.
A luz e a sombra,
o acre e o doce
o deserto e o oásis,
o ser e o não ser
o erro e o acerto,
a causa e o efeito
das minhas escolhas.

Eu sou
o sentimento que arrisco,
a emoção que me permito,
a palavra que profiro,
o silêncio que eu guardo,
a idéia que transmito,
o pensamento comprometido
com a história que escrevo.

Arapiraca (AL) - Brasil

GRITO DE ALFORRIA
Lêda Mello

Cansei de ser ninho, de ser só abrigo.
Eu quero ser ave,levantar meus vôos,
Cruzar o espaço, descortinar horizontes
Buscar outros ninhos pra me abrigar

Cansei de ser porto, ser sempre chegada.
Eu quero ser barco, levantar âncoras,
Singrar outros mares, provar novas águas,
Buscar outros portos, por onde aportar.

Cansei de ser platéia, apenas ouvinte.
Eu quero ser palco, mostrar-me na luz,
O próprio espetáculo, cenário e festa,
Fazer de mim mesma o espetáculo maior.

Cansei de calar, de ser só espera.
Eu quero gritar, mostrar o que sou,
Receber da vida o que é meu, por direito,
Quebrar meus grilhões, ser livre, VIVER!

Arapiraca (AL) - Brasil


O Milagre da Terra
Lêda Mello

Tarde preguiçosa de domingo.
A casa grande está quieta.
Da rede, na varanda, acerto o passo
no dorso das minhas cismas.
Olho o mundo ao meu redor.
Apuro a vista, vasculhando
cada pedacinho do meu sertão.

Volto no tempo. Neste mesmo lugar.
Na memória, a lembrança da terra sofrida.
Céu que, de tão azul, mais parece o mar.
Mar sem ondas, céu sem nuvens.
Limpo.
O ar, trêmulo, exala o calor que se desprende
das entranhas da mãe terra.
Terra seca, esturricada. Gritando a sua sede
pelos arbustos tostados pelo sol.
Gado magro, olho triste,
a fome e a sede à mostra no lombo de osso.
Sertanejo passa, pele curtida pelo sol,
olhar de tristeza, espia pro céu.
De verde, só a esperança!
Nem mesmo o passarinho arrisca um trinado.
Desolação.

Volto ao presente. Olho o céu.
Sol tímido de inverno farto, rasgando as fraldas
das nuvens pesadas de gotas de chuva.
O ar úmido, fresco, lavado,
puxando da terra o cheiro de mato.
Levanto da rede.
Descalça, caminho devagar, cuidadosamente,
sentindo sob os pés o inchaço
do ventre grávido da terra.
Terra molhada, mato verde...
Adiante, a fartura que explode
nas espigas de milho e nas ramas de feijão.
Terra que responde, por inteiro,
aos mimos e graças da mãe natureza.
Mundão de água.
Gado gordo, ruminando no pasto,
mostrando a saciedade
no lombo cheio, de pêlo lustroso.
Sertanejo passa, olhar satisfeito, espia pro céu.
A vida renasceu.
Passarinho canta, saracura responde.
É festa de vida, nas profundezas do sertão!

Arapiraca (AL) - Brasil

http://ledayara.terapiaholistica.net